A organização que não se organiza nunca diante de vossas expectativas de organização. Mas continua organizada, mesmo que não entendas.
Há na idéia reforçada um sentimento de força renovada.
É incrível como basta a gente se sentir acompanhado na loucura, que toda maluquice volta a fazer sentido.
Fraqueza a idéia do pensar em fraquejar na idéia.
As vezes parece que o ânimo só é recobrado quando vindo de dentro pra fora,
Mas aí de repente me sinto contagiada do ânimo alheio e retomo o meu próprio.
Sozinho há uma condenação imaginária do tipo: "resolva uma coisa de cada vez",
Mas aí na ignorância pode-se entender: "resolva as coisas isoladamente",
E elas estão unidas, vão continuar unidas...
E lá vamos nós separando as coisas, e separando-nos de todas as coisas,
e aí sim, sozinho,
Sozinho é muito fácil,
fácil acreditar que as apostas não valem a pena num jogo contra si mesmo.
E contra si não valem mesmo, é sem emoção,
e sem emoção nos tornamos outra coisa que não seres humanos .
E é tão simples, mas na nossa pressa de organização e esclarecimento impecável,
vamos esquecendo as peças, as partes, e em cada parte esquecida despedaçando a essência do todo.
Quando percebermos andamos em meio a fragmentos soltos de algo que ao querer construir fomos desmontando,
É tão mais simples deixar que o acaso de uma seqüência de gestos no instante certo nos faça construir sem precisar arquitetar...
Não conseguimos respeitar o tempo de construção da idéia, e na ânsia, e no afobamento, vamos torcendo o tornozelo nas valetas aqui ao pensar em saltar a poça d’agua que poderá haver lá,
Mas toda convicção vale a pena,
convicção é sentimento, e é boa rima com intuição...
como acreditar que não vale a pena descobrir o valor que só teu modo de ver enxerga?
como acreditar que não vale a pena desvendar o valor que só ao teu sentir corresponde?
e como acreditar que nao vale a pena tentar dividir isso com alguém?
Quanta vezes ouvi alguém repetir que tudo vale a pena,
Se nada disso pode-se considerar então como acreditar que eu mesmo tenha valor se aquilo que há de mais forte em mim existe pra nada?
Vem cada dia mais perto a vontade de aprender um novo modo de ser deixada levar por caminhos que fluam naturalmente e vozes que soem harmonicamente, e no decorrer as desordens (as ordens que não entendo) vão amansar o bixo controlador que no ímpeto da sua própria ordem, ordena tudo errado.
Naluah
terça-feira, 30 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Eu dentro da memória.
Eu paro o olhar numa cena embaçada, e minha mente sai fora do ar, não vejo, não sinto, não penso, e não quero, absolutamente nada. Fico as vezes minutos assim, até o momento em que pisco meus olhos, e sacolejo a cabeça pra ter de volta minha consciência. A consciência parece algo tão fugidio e tão arisco do corpo em certos instantes. Instantes em que se instaura na mente um agente causador de lacunas no tempo e no espaço, e o eu foge do corpo, não avisa pra onde vai, e sem o menor por quê lembra que me abandonou e volta, mas na volta não me esclarece por onde andou, nem por onde andei.
Sempre recusei a idéia de marcação de tempo e acredito que a vontade verdadeira é atemporal, vem de dentro de mim na hora em que vem, não na hora em que é obrigada por mim a se fazer presente. Cortei nos últimos tempos em mim o pensamento que recusava essa marcação, e forcei minha vontade a vir quando eu mandasse, mesmo que no momento outras estivessem ali de boa e com muita vontade, esperando que eu tomasse a simples atitude de agarrá-las pois ardia em mim a paixão de vive-las. E elas permaneciam ao meu lado esperando, até que o desânimo das tentativas de convocar outras que não existiam me frustravam, e juntas entristecíamos, as vontades pela rejeição e eu pela negligência. A minha liberdade e alegria descompromissada movia ao redor de mim toda a vontade e a disposição em aceitar aquilo que me era disponível no momento exato. Havia algo comparável àquela ingenuidade infantil de apenas brincar na rua até anoitecer, sem se importar com o perigo do horário.
A minha tentativa disciplinada de estabelecer uma rotina estável contrariava toda a natureza de emoção e incerteza em descobrir a novidade do dia. Eu rompi com algo tão meu em busca de algo sistêmico e controlado, controverso aquilo me fazia ser eu, sem me deixar ser feliz.
Eu ia à busca de um aperfeiçoamento, na certeza e na segurança, que julguei encontrar na vontade controlada, no dia planejado. Na expectativa de conseguir mudar algo nato, e aceitando me colocar na rotina de mais um dia projetado que eu não conseguia cumprir, me angustiei, me senti inútil e me irritei comigo mesma.
Eu olho pra dentro de mim e pergunto por que foi que eu aceitei com passividade conviver com melancolia, angústia, ansiedade e tensão. E agora nos resquícios disso quando por acaso olho pra mim no reflexo do vidro das lojas, eu vejo uma expressão que me torna muito mais velha e pesada.
Eu olho pra dentro de mim e sei que não sou, nem nunca fui assim, mas é como estou.
Estou assim por que andei fora de mim, tentei me colocar dentro de um tubo de ensaio e reagir com o mundo experimentando uma prisão. Ao me permitir a experiência de me prender, acabei realmente me entregando aos sintomas cabíveis. A experiência de viver assim amplia e fundamenta a visão que sempre tive em relação a natureza e o respeito que devemos a essa essência que gera nossas vontades.
Como é sofrido impor a si mesma tarefas que não me importam no instante, como é angustiante pensar na responsabilidade das minhas próprias cobranças e tentar conciliar com a cobrança de outros. É insuportável agüentar vontades adequadas ao tempo e aos planos. Vontades são únicamente destinadas ao ser.
Sem querer de repente minha válvula de escape se torna fugir do meu corpo e ir pra um lugar onde nem eu sei, pra que assim eu não pense naquilo em que devo a mim e aos outros e ainda não fiz, nem vou conseguir fazer. Não são deveres reais, não são meus desejos, mas são aqueles que planejei e que seriam ótimos fazer se houvesse uma pontinha de vontade intercedendo por mim. Percebi que para cumprir os meus planos do dia os meus principais desejos sempre eram os últimos da lista, pois antes eu deveria cumprir meu cronograma.
Isso não existe. Isso nunca existiu, e minhas verdadeiras vontades nunca vão estar em dia comigo, se antes delas minha razão mentirosa continuar a insistir que primeiro preciso fazer o dever de casa do professor, antes de olhar a borboleta saindo do casulo ou a carreata de formigas carregando um grilo morto.
Detesto toda e qualquer voz que me diga o que fazer, mesmo que essa voz seja a minha própria ordem intransigente. Ninguém precisa me dar ordens, e agora aprendi que muito menos eu, pois a minha cobrança pesa sem necessidade mais que qualquer outra.
Se essa voz que me diz o que fazer não é minha própria vontade, se a voz que me diz o que fazer não me deixa feliz, e nem me esclarece, nada faz sentido, e se não faz sentido não sou eu quem quer.
Ultimamente a alegria me fez chorar. Chorar de emoção por estar alegre... Nesse período fui tão indiferente e restritiva comigo mesma, tão persistente nessa idéia de me impor afazeres que me anulei. Consegui fazer-me alvo dum sentimento medonho de contenção de vontade, da troca de um impulso natural, pela camisa de força do projeto. A angústia de me abster da vontade já foi suficiente... e percebo que isso até parece um relatório, mas é minha pura vontade de escrever retornando.
Agora experimento um ar de liberdade antigo, tão novo, tão limpo da idéia de me enquadrava num único ângulo, agora posso reacostumar-me a aceitar o instantâneo, o momentâneo, afinal, nada permanece intacto pra sempre, tudo muda e todo segundo é único. Quero voltar àquela intensidade,e a liberdade de corrigir meus defeitos e aperfeiçoar as virtudes, mas dentro daquilo que a natureza da minha essência é, e que eu não saberia definir, afinal não existe meios de definir a amplitude do ser. Mas eu ainda consigo saber que quando apenas sou, só há como ser feliz.
A vida é tão impetuosa, imediata, inesperada, inconformada e intensa, e por teimosia eu quis experimentar a vida controlada. Controlar o quê? Me basta voltar a aceitar que tudo é possível, e afinal as coisas acontecem do jeito que devem, quer eu veja com bons ou maus olhos. O problema sempre esteve nos olhos de quem vê.
Agora quem me leva é a intuição, o tato, os sentidos, as vontades, não apenas as superficiais e materiais, mas as vontades essenciais e naturais.
Estava com saudades de escrever, e aceitar que realmente andei meio fora do meu próprio ar, e que está na hora de reconectar as sinapses, e não chocá-las compulsivamente umas contra as outras até ver nascer probleminhas espevitados inexistentes.
Preciso me preocupar menos, viver mais, e principalmente, fazer apenas aquilo que quero e posso.
E posso tudo desde que respeite-se a lei do silêncio após as 22.00h.
Naluah
(...mas podemos entender a "lei do silêncio após as 22.00h" como a "hora das vontades")
Sempre recusei a idéia de marcação de tempo e acredito que a vontade verdadeira é atemporal, vem de dentro de mim na hora em que vem, não na hora em que é obrigada por mim a se fazer presente. Cortei nos últimos tempos em mim o pensamento que recusava essa marcação, e forcei minha vontade a vir quando eu mandasse, mesmo que no momento outras estivessem ali de boa e com muita vontade, esperando que eu tomasse a simples atitude de agarrá-las pois ardia em mim a paixão de vive-las. E elas permaneciam ao meu lado esperando, até que o desânimo das tentativas de convocar outras que não existiam me frustravam, e juntas entristecíamos, as vontades pela rejeição e eu pela negligência. A minha liberdade e alegria descompromissada movia ao redor de mim toda a vontade e a disposição em aceitar aquilo que me era disponível no momento exato. Havia algo comparável àquela ingenuidade infantil de apenas brincar na rua até anoitecer, sem se importar com o perigo do horário.
A minha tentativa disciplinada de estabelecer uma rotina estável contrariava toda a natureza de emoção e incerteza em descobrir a novidade do dia. Eu rompi com algo tão meu em busca de algo sistêmico e controlado, controverso aquilo me fazia ser eu, sem me deixar ser feliz.
Eu ia à busca de um aperfeiçoamento, na certeza e na segurança, que julguei encontrar na vontade controlada, no dia planejado. Na expectativa de conseguir mudar algo nato, e aceitando me colocar na rotina de mais um dia projetado que eu não conseguia cumprir, me angustiei, me senti inútil e me irritei comigo mesma.
Eu olho pra dentro de mim e pergunto por que foi que eu aceitei com passividade conviver com melancolia, angústia, ansiedade e tensão. E agora nos resquícios disso quando por acaso olho pra mim no reflexo do vidro das lojas, eu vejo uma expressão que me torna muito mais velha e pesada.
Eu olho pra dentro de mim e sei que não sou, nem nunca fui assim, mas é como estou.
Estou assim por que andei fora de mim, tentei me colocar dentro de um tubo de ensaio e reagir com o mundo experimentando uma prisão. Ao me permitir a experiência de me prender, acabei realmente me entregando aos sintomas cabíveis. A experiência de viver assim amplia e fundamenta a visão que sempre tive em relação a natureza e o respeito que devemos a essa essência que gera nossas vontades.
Como é sofrido impor a si mesma tarefas que não me importam no instante, como é angustiante pensar na responsabilidade das minhas próprias cobranças e tentar conciliar com a cobrança de outros. É insuportável agüentar vontades adequadas ao tempo e aos planos. Vontades são únicamente destinadas ao ser.
Sem querer de repente minha válvula de escape se torna fugir do meu corpo e ir pra um lugar onde nem eu sei, pra que assim eu não pense naquilo em que devo a mim e aos outros e ainda não fiz, nem vou conseguir fazer. Não são deveres reais, não são meus desejos, mas são aqueles que planejei e que seriam ótimos fazer se houvesse uma pontinha de vontade intercedendo por mim. Percebi que para cumprir os meus planos do dia os meus principais desejos sempre eram os últimos da lista, pois antes eu deveria cumprir meu cronograma.
Isso não existe. Isso nunca existiu, e minhas verdadeiras vontades nunca vão estar em dia comigo, se antes delas minha razão mentirosa continuar a insistir que primeiro preciso fazer o dever de casa do professor, antes de olhar a borboleta saindo do casulo ou a carreata de formigas carregando um grilo morto.
Detesto toda e qualquer voz que me diga o que fazer, mesmo que essa voz seja a minha própria ordem intransigente. Ninguém precisa me dar ordens, e agora aprendi que muito menos eu, pois a minha cobrança pesa sem necessidade mais que qualquer outra.
Se essa voz que me diz o que fazer não é minha própria vontade, se a voz que me diz o que fazer não me deixa feliz, e nem me esclarece, nada faz sentido, e se não faz sentido não sou eu quem quer.
Ultimamente a alegria me fez chorar. Chorar de emoção por estar alegre... Nesse período fui tão indiferente e restritiva comigo mesma, tão persistente nessa idéia de me impor afazeres que me anulei. Consegui fazer-me alvo dum sentimento medonho de contenção de vontade, da troca de um impulso natural, pela camisa de força do projeto. A angústia de me abster da vontade já foi suficiente... e percebo que isso até parece um relatório, mas é minha pura vontade de escrever retornando.
Agora experimento um ar de liberdade antigo, tão novo, tão limpo da idéia de me enquadrava num único ângulo, agora posso reacostumar-me a aceitar o instantâneo, o momentâneo, afinal, nada permanece intacto pra sempre, tudo muda e todo segundo é único. Quero voltar àquela intensidade,e a liberdade de corrigir meus defeitos e aperfeiçoar as virtudes, mas dentro daquilo que a natureza da minha essência é, e que eu não saberia definir, afinal não existe meios de definir a amplitude do ser. Mas eu ainda consigo saber que quando apenas sou, só há como ser feliz.
A vida é tão impetuosa, imediata, inesperada, inconformada e intensa, e por teimosia eu quis experimentar a vida controlada. Controlar o quê? Me basta voltar a aceitar que tudo é possível, e afinal as coisas acontecem do jeito que devem, quer eu veja com bons ou maus olhos. O problema sempre esteve nos olhos de quem vê.
Agora quem me leva é a intuição, o tato, os sentidos, as vontades, não apenas as superficiais e materiais, mas as vontades essenciais e naturais.
Estava com saudades de escrever, e aceitar que realmente andei meio fora do meu próprio ar, e que está na hora de reconectar as sinapses, e não chocá-las compulsivamente umas contra as outras até ver nascer probleminhas espevitados inexistentes.
Preciso me preocupar menos, viver mais, e principalmente, fazer apenas aquilo que quero e posso.
E posso tudo desde que respeite-se a lei do silêncio após as 22.00h.
Naluah
(...mas podemos entender a "lei do silêncio após as 22.00h" como a "hora das vontades")
quarta-feira, 24 de março de 2010
Volta
A frieza, andar irrita
o olhar, parado escurece
a lentidão, em gesto angustia
o resmungo forçado, desgasta
A frieza olhando a lentidão do resmungo
O andar parado é um gesto forçado
e sem cabimento,
no menor gasto de energia.
retorno ao desgosto.
Cadê o vendedor de CHURROS?
Naluah
(preciso chamar ela de volta...)
o olhar, parado escurece
a lentidão, em gesto angustia
o resmungo forçado, desgasta
A frieza olhando a lentidão do resmungo
O andar parado é um gesto forçado
e sem cabimento,
no menor gasto de energia.
retorno ao desgosto.
Cadê o vendedor de CHURROS?
Naluah
(preciso chamar ela de volta...)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
não tem mais oque fazer
o pavio já queimou
meu filho ta pra nascer
alegria me engana
a noite vem sossegada
e ao pé da minha cama
a angústia me espera
querendo entrar no meu sonho
sorrateira causar um soluço
imagino por onde mais correr
um jeito de saculejar e me libertar
e viajo na idéia de rir pra viver
rir ensandecidamente
ponto de fuga de um choro normal
não tem mais oq fazer
o pavio era curto e se acabou
todo começo é um parto
alegria e dor
dor no fundo do peito
divide meu corpo
divide meu ser em não ser
tristeza me rasga
num extravaso de mim
o desespero no violão
num sentimento assentido sem destino
não tem mais oque fazer
o pavio deu um curto
os filhos crescem
e a consciência diz o tempo todo
a gente é filho da mãe
tão forte e tão fraco
a fraqueza me destrói
viro bicho
reviro o lixo do meu sentimento
e se apenas um pouco mais bicho fosse
não sofreria tanto em comer o bicho
ele grita desgovernado
me espanca me lincha me estupra
dentro de mim
pra não avançar ninguém
não tem mais oque fazer
não existe pavio
não existe Papai Noel
não existe sombra
não existe água fresca
não existe arrego
não existe trégua
nem que eu vista bota sete léguas
o meu espinho tá cravado no pé
os filhos crescem
tentam ser bons
não existe bondade
não existe maldade
os antônimos são homônimos
a minha alegria minha tristeza
a tristeza motivo de riso.
Não tem oque fazer
Simplesmente não tem oque fazer
É tanto que fica por fazer
Tudo vai ficando pelo caminho
E no fim
Por bem ou mal se descobre
Quem foi ou não filho de Deus
Naluah
(o auge da dor)
o pavio já queimou
meu filho ta pra nascer
alegria me engana
a noite vem sossegada
e ao pé da minha cama
a angústia me espera
querendo entrar no meu sonho
sorrateira causar um soluço
imagino por onde mais correr
um jeito de saculejar e me libertar
e viajo na idéia de rir pra viver
rir ensandecidamente
ponto de fuga de um choro normal
não tem mais oq fazer
o pavio era curto e se acabou
todo começo é um parto
alegria e dor
dor no fundo do peito
divide meu corpo
divide meu ser em não ser
tristeza me rasga
num extravaso de mim
o desespero no violão
num sentimento assentido sem destino
não tem mais oque fazer
o pavio deu um curto
os filhos crescem
e a consciência diz o tempo todo
a gente é filho da mãe
tão forte e tão fraco
a fraqueza me destrói
viro bicho
reviro o lixo do meu sentimento
e se apenas um pouco mais bicho fosse
não sofreria tanto em comer o bicho
ele grita desgovernado
me espanca me lincha me estupra
dentro de mim
pra não avançar ninguém
não tem mais oque fazer
não existe pavio
não existe Papai Noel
não existe sombra
não existe água fresca
não existe arrego
não existe trégua
nem que eu vista bota sete léguas
o meu espinho tá cravado no pé
os filhos crescem
tentam ser bons
não existe bondade
não existe maldade
os antônimos são homônimos
a minha alegria minha tristeza
a tristeza motivo de riso.
Não tem oque fazer
Simplesmente não tem oque fazer
É tanto que fica por fazer
Tudo vai ficando pelo caminho
E no fim
Por bem ou mal se descobre
Quem foi ou não filho de Deus
Naluah
(o auge da dor)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Despropósito
Despropósito
O cúmulo do absurdo
Ignorância risível
E sentenças averdalhadas que seguem a sinal verde e vão correndo por ruas e pobres bequinhos, passando por ouvidos espichados com seus donos de linguas bífidas vendendo versões piratas de verdades bestiais.
Avacalhada-se
Distorce-se aqui
Espicha-se alí
Atua-se num palco de esperteza e fingimento
E ZÁS, no desfecho o culpado vira vítima
É tudo tão simples e fácil
Gente de bem sempre nadando contra correnteza salgada pra ver se com seu própio suor a vida consegue adoçar
E gente em disparate fazendo de tudo pra quem tem um tapete, puxar
A ética num instante se veste do dom da convicção em gritos estúpidos e altos
E a gente que não quer baixeza, assim
Engolindo a verdade pra não brigar
Engolindo a raiva de ver quem a gente ama pagar quietinho oque não deve
E a gente fica sempre no passivo papel conciliador
Como se não sofresse uma gota do veneno bebido
Mas a gente sim é gente,
A gente é quem sente,
Sente pela gente e sente por saber que no mundo da gente, existe gente que mente,
Que mente e nem sente,
Mas o dia em que tanto veneno que se é obrigado a engolir vier de repente gerar nossa reação adversa,
Espero que alguém evite o vômito instantâneo na cara dum mal-feitor.
Naluah
(Inconformada. Exalando civilidade, engolindo indignação.)
O cúmulo do absurdo
Ignorância risível
E sentenças averdalhadas que seguem a sinal verde e vão correndo por ruas e pobres bequinhos, passando por ouvidos espichados com seus donos de linguas bífidas vendendo versões piratas de verdades bestiais.
Avacalhada-se
Distorce-se aqui
Espicha-se alí
Atua-se num palco de esperteza e fingimento
E ZÁS, no desfecho o culpado vira vítima
É tudo tão simples e fácil
Gente de bem sempre nadando contra correnteza salgada pra ver se com seu própio suor a vida consegue adoçar
E gente em disparate fazendo de tudo pra quem tem um tapete, puxar
A ética num instante se veste do dom da convicção em gritos estúpidos e altos
E a gente que não quer baixeza, assim
Engolindo a verdade pra não brigar
Engolindo a raiva de ver quem a gente ama pagar quietinho oque não deve
E a gente fica sempre no passivo papel conciliador
Como se não sofresse uma gota do veneno bebido
Mas a gente sim é gente,
A gente é quem sente,
Sente pela gente e sente por saber que no mundo da gente, existe gente que mente,
Que mente e nem sente,
Mas o dia em que tanto veneno que se é obrigado a engolir vier de repente gerar nossa reação adversa,
Espero que alguém evite o vômito instantâneo na cara dum mal-feitor.
Naluah
(Inconformada. Exalando civilidade, engolindo indignação.)
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O sinônimo de "Estou Cheia", no modo gentil e educado de expressar-se após comer como um boi pela perna. E do sinônimo ao antônimo. E vice-versa.
A vontade que eu tinha não era definitivamente ter vindo aqui escrever...
Me dei conta enquanto eu estava escovando os dentes de que a minha vontade de escovar os dentes tinha sido efetiva há pelo menos duas horas atrás, quando coloquei pasta na escova e a deixei esperando em cima da mesa de desenho pra ir até a cozinha me certificar que não queria realmente comer algo antes de escová-los, mas sentei-me na cadeira e assisti tv. Enquanto assistia tv dei-me conta que eu queria mesmo era estar vendo um filme que aluguei, então levantei da cadeira tirei uma panela do armário e fui fazer brigadeiro. Ao decidir assistir o filme liguei pra casa pra conversar com meus pais, enquanto minha mãe falava eu assistia o início do filme, quando desliguei o telefone quis estar do lado de alguém que sinto saudades, e fui me desligando do mundo, me desligando e parei o filme já que a cama é o melhor lugar pra se dormir, mas antes eu “precisava” desligar o computador, e antes de desligá-lo comecei a ver fotos antigas, e de repente dei um pulo entusiasmado, pois inspirei-me a desenhar. Antes de desenhar peguei minha escova de dentes empastada que havia deixado em cima da mesa e corri para o banheiro fazer xixi, enquanto fazia xixi tive idéias que quis anotar, e as idéias iam se sobrepondo, se sobrepondo, e enquanto eu esquecia as anteriores, escovava meus dentes e pressentia a ironia me olhando. Minha vontade agora era escrever. Quando pensei que iria vir escrever, sequei as mãos lentamente dando tempo de ver meu rosto no espelho, e minha velha mania me segurou ali e fiquei em frente ao espelho apontando defeitos... quando eu enxi o saco de mim mesma adiando as coisas percebi que apesar de tudo eu já nem precisava estar aqui, pois quando vi eu já estava, e antes que eu pudesse querer tocar violão ou fazer abdominais ou procurar a tarraxinha do brinco que perdi ano passado, e esquecer tudo de novo me previni de mim mesma... e mesmo a minha vontade de agora, talvez, ser fazer tudo no tempo contrário do tempo em que penso, não é. Afinal me pergunto se será que depois eu faria tudo aquilo que não penso em fazer agora... e foi assim que me senti meio obrigada a parar com meu inicio de tormento mental que começava a se expandir essa noite... mas de um modo ou de outro não podia a noite terminar diferente das mesmas questões de sempre. E sem querer querendo num fundo um pouco mais profundo que consciente...
sem querer,
querendo,
sem saber,
sabendo...
Quis saber,
quis querer,
querer, saber, viver... por um TRIZ.
Naluah
(além de tudo aquilo que não sei dizer inversamente desproporcional e ao contrário)
Me dei conta enquanto eu estava escovando os dentes de que a minha vontade de escovar os dentes tinha sido efetiva há pelo menos duas horas atrás, quando coloquei pasta na escova e a deixei esperando em cima da mesa de desenho pra ir até a cozinha me certificar que não queria realmente comer algo antes de escová-los, mas sentei-me na cadeira e assisti tv. Enquanto assistia tv dei-me conta que eu queria mesmo era estar vendo um filme que aluguei, então levantei da cadeira tirei uma panela do armário e fui fazer brigadeiro. Ao decidir assistir o filme liguei pra casa pra conversar com meus pais, enquanto minha mãe falava eu assistia o início do filme, quando desliguei o telefone quis estar do lado de alguém que sinto saudades, e fui me desligando do mundo, me desligando e parei o filme já que a cama é o melhor lugar pra se dormir, mas antes eu “precisava” desligar o computador, e antes de desligá-lo comecei a ver fotos antigas, e de repente dei um pulo entusiasmado, pois inspirei-me a desenhar. Antes de desenhar peguei minha escova de dentes empastada que havia deixado em cima da mesa e corri para o banheiro fazer xixi, enquanto fazia xixi tive idéias que quis anotar, e as idéias iam se sobrepondo, se sobrepondo, e enquanto eu esquecia as anteriores, escovava meus dentes e pressentia a ironia me olhando. Minha vontade agora era escrever. Quando pensei que iria vir escrever, sequei as mãos lentamente dando tempo de ver meu rosto no espelho, e minha velha mania me segurou ali e fiquei em frente ao espelho apontando defeitos... quando eu enxi o saco de mim mesma adiando as coisas percebi que apesar de tudo eu já nem precisava estar aqui, pois quando vi eu já estava, e antes que eu pudesse querer tocar violão ou fazer abdominais ou procurar a tarraxinha do brinco que perdi ano passado, e esquecer tudo de novo me previni de mim mesma... e mesmo a minha vontade de agora, talvez, ser fazer tudo no tempo contrário do tempo em que penso, não é. Afinal me pergunto se será que depois eu faria tudo aquilo que não penso em fazer agora... e foi assim que me senti meio obrigada a parar com meu inicio de tormento mental que começava a se expandir essa noite... mas de um modo ou de outro não podia a noite terminar diferente das mesmas questões de sempre. E sem querer querendo num fundo um pouco mais profundo que consciente...
sem querer,
querendo,
sem saber,
sabendo...
Quis saber,
quis querer,
querer, saber, viver... por um TRIZ.
Naluah
(além de tudo aquilo que não sei dizer inversamente desproporcional e ao contrário)
sábado, 9 de janeiro de 2010
Pó
Passei o dia juntando pó,
Procurando nos cantos,e quinas...
encima, embaixo da cama,
no meio de livros, entre os vãos na parede,
sacudindo as roupas, as pulgas, os seres
farejando meus pedaços pequenos, mortos, escondidos
Tossindo a última pá de poeira do ano
Um vento veio assobiando na janela do quarto,
A poeira grudava o chão ao teto,
Nesse teto do quarto, num quarto de tempo,
As últimas poeiras amontoadas na pá,
Viraram de ponta cabeça,
Pro vento soprar lá pra fora,
Levar meu cabelo enozado embora.
A poeira estranha aonde moro,
Quem junta meu pé com meu pó, vai chamar agora,
Pára a pá! Pá de poeira acumulada,
Pararará minha faxina de ano novo,
Que a Tentativa vem já... e é minha empregada de limpar a alma.
Naluah
(férias)
Procurando nos cantos,e quinas...
encima, embaixo da cama,
no meio de livros, entre os vãos na parede,
sacudindo as roupas, as pulgas, os seres
farejando meus pedaços pequenos, mortos, escondidos
Tossindo a última pá de poeira do ano
Um vento veio assobiando na janela do quarto,
A poeira grudava o chão ao teto,
Nesse teto do quarto, num quarto de tempo,
As últimas poeiras amontoadas na pá,
Viraram de ponta cabeça,
Pro vento soprar lá pra fora,
Levar meu cabelo enozado embora.
A poeira estranha aonde moro,
Quem junta meu pé com meu pó, vai chamar agora,
Pára a pá! Pá de poeira acumulada,
Pararará minha faxina de ano novo,
Que a Tentativa vem já... e é minha empregada de limpar a alma.
Naluah
(férias)
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